Haddad deve definir nesta quinta quem será seu vice: Márcio França, Marina Silva ou Simone Tebet

Escrito em 25/06/2026


Márcio França, Marina Silva e Simone Tebet Montagem g1/ESTADÃO CONTEÚDO/Agência Senado/ Bruno Spada/Câmara dos Deputados O pré-candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) deve definir nesta quinta-feira (25) quem será seu vice, e a escolha está entre Márcio França (PSB), Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB). Após uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente, Geraldo Alckmin, em Brasília, Haddad afirmou que os três deixaram ele escolher se saem como candidatos a vice-governador ou se concorrem ao Senado. "Numa reunião com o presidente Lula e o vice-presidente Alckmin, Marina, Simone e Márcio se colocaram a disposição para concorrer a vice-governador(a) ou ao senado, deixando a meu critério a escolha da chapa. Me sinto honrado pela confiança desses três colegas de ministério e me comprometi a formalizar o convite até amanhã." França ainda é cogitado para disputar o governo do estado e evitar uma disputa só entre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Haddad (leia mais abaixo). O pré-candidato do PT deve voltar a São Paulo para fazer o anúncio ainda na manhã desta quinta. No dia 11, Haddad elogiou os possíveis companheiros de chapa e afirmou estar confiante na recepção da composição pelos eleitores. "Acho que nós vamos apresentar uma coisa bem legal para o estado de São Paulo, para cidade de São Paulo, para cidades do interior e para o litoral. Estamos pensando regionalmente cada aspecto do desenvolvimento paulista e vamos fazer uma campanha de altíssimo nível com essas pessoas, pessoas de muita tradição na política, com um nome muito respeitável com tradição nas suas áreas de atuação. Então, estou muito confiante de que vai ser uma chapa bem recebida." Desistências desenham novo cenário nas eleições de SP A desistência de Paulo Serra (PSDB) e Kim Kataguiri (Missão) da disputa pelo governo de São Paulo em outubro pode gerar uma disputa inédita no estado com apenas dois candidatos entre os partidos que tem representação na Câmara dos Deputados, segundo os especialistas ouvidos pelo g1. Faltando pouco menos de um mês para o início da realização das convenções partidárias que definem os candidatos, o cenário que se desenha é de disputa apenas entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) entre os postulantes à cadeira de governador do maior estado do Brasil. Salvo os partidos nanicos, nenhuma outra sigla grande fora PT e Republicanos deve lançar candidato ao governo paulista. Com isso, os cientistas políticos afirmam que é muito provável que a eleição em São Paulo seja definida no 1° turno. “Desde 1982, com a retomada do voto direto para governador, quando Franco Montoro foi eleito, a gente sempre teve pelo menos três ou quatro candidatos realmente competitivos. Essa polarização estadual é inédita e traz um risco de nacionalização do debate que pode deixar os problemas de São Paulo de fora das discussões eleitorais no estado”, disse o cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV). “A tendência é que a eleição no estado de São Paulo seja decidida no primeiro turno, pois não há uma terceira opção visível para o eleitor neste momento. Kim e Paulo Serra juntos chegavam a cerca de 10% das intenções de voto, percentual insuficiente para torná-los competitivos, mas o bastante para provocar um segundo turno se a eleição for muito acirrada”, disse o professor da Hilton Fernandes, do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fesp-SP). Para evitar uma eventual vitória de Tarcísio - que lidera com folga as pesquisas no 1° turno - o ex-ministro Márcio França (PSB) voltou a conversar com lideranças petistas para se lançar como terceiro candidato, com o argumento de forçar a realização de um 2° turno em SP. Inicialmente, França era o principal nome em discussão para compor a chapa de Fernando Haddad (PT), uma vez que Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) lideram a corrida pelas duas cadeiras do Senado do estado de São Paulo. A estratégia seria que Haddad e França fizessem dobradinha nos debates e nas redes sociais, a fim de desgastar o atual governador, candidato à reeleição. Embora o assunto ainda esteja em debate entre petistas graduados e a cúpula do PSB, Márcio França já começou a cutucar Tarcísio das redes sociais, dando sinais da dobradinha. Na semana passada, quando o atual governador pediu desculpas aos paulistas pela onda de roubos de celulares no estado, ele comentou em diversas postagens de portais de notícia suas críticas a Tarcísio no episódio: "O paulista aceita até desculpas sinceras, mas não aceita reincidência. O @fernandohaddadoficial já alertou sobre isso há muito tempo", escreveu. "A entrada do Márcio França na disputa pode trazer uma novidade interessante, porque ele não é do PT e, portanto, talvez não tenha tanta rejeição no interior do estado, onde o antipetismo é forte. Ele talvez parte de um patamar interessante de intenção de voto, mas pouco se tem de evidência de que parte do eleitor e da elite possam migrar de voto e a coisa não ser resolvida também no 1° turno. Vai depender da desconstrução que a oposição vai conseguir ou não fazer sobre a gestão Tarcísio em SP", alerta o cientista político Rafael Cortez, sócio da Tendências Consultoria. “A pluralidade sempre é muito boa para a democracia. Esse cenário de só dois candidatos é o reflexo da polarização nacional pode se refletir até na ida aos debates do Tarcísio. Porque, uma vez que ele chegue numa posição confortável nas proximidades do pleito, pode não querer debater os problemas atuais do estado como privatização da Sabesp, Segurança Pública e transporte público, que são o telhado de vidro da atual administração dele em São Paulo”, afirmou Teixeira. Fernando Haddad Jorge Silva/Reuters Ala do PT-SP deve intensificar pressão por Simone Tebet como vice de Haddad