NASA prepara lançamento de poderoso telescópio que vai expandir o trabalho do James Webb; veja detalhes

Escrito em 29/07/2026


Ilustração em alta resolução do telescópio espacial Nancy Grace Roman. NASA A Nasa apresentou nesta quarta-feira (29) novos detalhes sobre o lançamento do Nancy Grace Roman, telescópio espacial que vai trabalhar de forma complementar ao James Webb e ampliar a capacidade dos cientistas de observar o Universo. Na coletiva, a agência informou que o observatório está pronto para a missão e entra agora na fase final de preparação. Agora, o equipamento será acoplado ao foguete e protegido pela estrutura que o envolve durante o lançamento. O Roman terá capacidade para observar grandes áreas do céu com rapidez e alta definição. Segundo a Nasa, um levantamento da Via Láctea que levaria cerca de um século com o Hubble poderá ser concluído pelo novo telescópio em apenas um mês. “O Roman está pronto para o lançamento”, afirmou Jackie Townsend, gerente do projeto na Nasa. A expectativa é que a missão identifique planetas, galáxias, supernovas e outros fenômenos que poderão ser estudados depois por observatórios como o James Webb. O lançamento está previsto para 30 de agosto, a bordo de um foguete Falcon Heavy, da SpaceX, a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. O Roman será enviado para uma região localizada a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra, conhecida como ponto de Lagrange 2, ou L2. O James Webb também opera nessa área, que oferece condições estáveis para observações espaciais. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Apesar da proximidade e das frequentes comparações, o novo observatório não substituirá o Webb. Os dois foram construídos para tarefas diferentes. O Webb consegue observar pequenas áreas e objetos muito distantes com grande riqueza de detalhes. Já o Roman terá uma visão panorâmica e poderá registrar extensas regiões do céu rapidamente. Em uma comparação simples, o Webb funciona como uma lente teleobjetiva, usada para aproximar um alvo distante. O Roman será como uma grande-angular, capaz de mostrar a paisagem ao redor. Com isso, o Roman poderá localizar galáxias, planetas, explosões estelares e outros fenômenos raros. Alguns desses objetos poderão ser observados depois, com mais profundidade, pelo James Webb. A própria Nasa destaca que os dois observatórios vão trabalhar juntos para estudar galáxias antigas, buracos negros e mundos fora do Sistema Solar. Veja mais detalhes abaixo. Veja os vídeos que estão em alta no g1 LEIA TAMBÉM: Astronauta da Nasa flagra fenômeno luminoso raro durante tempestade vista do espaço; entenda Em fenômeno inédito, cientistas descobrem planeta que acelera sua própria destruição; entenda O teste de DNA em osso que pode reescrever a história do Egito antigo O que é o telescópio Roman? O Nancy Grace Roman é o novo grande observatório de astrofísica da Nasa. O telescópio recebeu o nome da astrônoma Nancy Grace Roman, primeira chefe de astronomia da Nasa e uma das responsáveis por abrir caminho para a criação do Hubble. Ele foi desenvolvido principalmente para fazer grandes levantamentos do céu e estudar milhões ou bilhões de objetos ao mesmo tempo. Seu espelho principal tem 2,4 metros de diâmetro, o mesmo tamanho do espelho do Hubble. A diferença está principalmente no campo de visão e na velocidade com que o Roman poderá fotografar o espaço. Segundo a Nasa, o telescópio será capaz de observar grandes áreas do céu até mil vezes mais rápido que o Hubble, mantendo sensibilidade e nitidez semelhantes no infravermelho. O observatório tem cerca de 13 metros de altura e, quando abastecido, pesa aproximadamente 10,5 toneladas. A sua missão principal terá duração prevista de cinco anos, mas o telescópio foi projetado com a meta de funcionar por até uma década. O telescópio recebeu o nome da astrônoma Nancy Grace Roman, primeira chefe de astronomia da Nasa e uma das responsáveis por abrir caminho para a criação do Hubble. Nasa Ele será o novo James Webb? Não. O Roman não será sucessor nem substituto do James Webb. O Webb tem um espelho principal de 6,5 metros e instrumentos capazes de observar regiões muito distantes do Universo, inclusive galáxias formadas quando o cosmos ainda era jovem. Sua visão, porém, cobre áreas relativamente pequenas. Isso permite estudar cada alvo em detalhes, mas dificulta a realização de grandes levantamentos. O Roman fará o caminho contrário. Ele observará áreas muito maiores, encontrará grandes populações de objetos e ajudará os astrônomos a escolher quais merecem uma análise mais profunda. O Roman poderá, por exemplo, detectar uma galáxia rara em meio a milhões de outras. O Webb poderá então apontar seus instrumentos para ela e estudar sua composição, sua idade e as estrelas que existem ali. Os dois telescópios devem operar ao mesmo tempo e na mesma região do espaço, mas em órbitas diferentes e suficientemente afastadas para não haver risco de colisão. LEIA TAMBÉM: Espécie achada em esterco de gado pode explicar a origem do 'cogumelo mágico' mais cultivado do mundo Cientistas encontram fóssil de tiranossauro gigante que pode ser parente antigo do T. rex Estudos sugerem que o Sol 'fugiu' do centro da Via Láctea junto com estrelas gêmeas Comparação mostra o Hubble (esquerda) e o James Webb. O espelho do Webb tem 6,5 metros de diâmetro; o do Hubble é muito menor, com 2,4 metros. Canadian Space Agency Como o Roman vai expandir o trabalho do Webb? O Roman vai acrescentar contexto às observações detalhadas feitas pelo James Webb. Uma fotografia do Webb pode mostrar uma pequena região com nitidez extraordinária. O Roman poderá observar uma área muito maior ao redor daquele ponto e revelar se o objeto analisado é comum ou raro. Essa combinação é importante porque uma descoberta isolada nem sempre mostra o que acontece no restante do Universo. Ao comparar milhões de galáxias, estrelas ou planetas, os cientistas conseguem identificar padrões e entender como esses objetos mudam ao longo do tempo. E o Roman também poderá encontrar fenômenos raros que dificilmente apareceriam por acaso no campo mais estreito do Webb, como explosões estelares, estrelas destruídas por buracos negros e colisões entre objetos muito densos. Depois da localização, o Webb poderá ser usado para examinar os casos mais interessantes. Fotógrafo do RS faz imagem incrível de cometa 'mais brilhante do ano' Como será a visão do Roman? O principal instrumento do telescópio será uma câmera de 300 megapixels chamada Wide Field Instrument. Ela terá um campo de visão pelo menos 100 vezes maior que o de instrumentos semelhantes do Hubble. Uma única imagem poderá cobrir uma área do céu maior que o tamanho aparente da Lua cheia. Nos cinco primeiros anos, o Roman deverá observar mais de 50 vezes a quantidade de céu registrada pelo Hubble em suas três primeiras décadas. A missão poderá acompanhar bilhões de galáxias, estrelas, planetas e outros objetos. Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, durante sua apresentação ao público no Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, em Greenbelt, Maryland, em 21 de abril de 2026 SAUL LOEB / AFP Quando será o lançamento e para onde ele vai? O lançamento está previsto para 30 de agosto de 2026, a bordo de um foguete Falcon Heavy, da SpaceX, a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. O Roman chegou ao local em junho e passa pelos preparativos finais. O abastecimento com cerca de 1,1 mil litros de hidrazina foi concluído em 25 de julho. Depois da decolagem, o telescópio seguirá para o ponto de Lagrange 2, a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra. O James Webb também opera nessa região. O Roman deverá levar algumas semanas para chegar ao destino. Em seguida, passará por testes e ajustes antes do início das observações científicas, previsto para o começo de 2027. O que o Roman vai investigar? A missão terá três áreas principais de pesquisa: a expansão do Universo, a matéria escura e os planetas localizados fora do Sistema Solar. Para investigar a energia escura, fenômeno associado à aceleração da expansão do Universo, o Roman observará centenas de milhões de galáxias em diferentes distâncias. Como a luz desses objetos levou bilhões de anos para chegar à Terra, as imagens permitirão estudar diferentes momentos da história do Universo. O telescópio também ajudará a mapear a matéria escura, que não pode ser vista diretamente, mas exerce força gravitacional sobre estrelas e galáxias. Para isso, ele medirá pequenas deformações na luz de galáxias distantes. Essas distorções indicam onde existem grandes concentrações de massa. Técnicos conectam as partes interna e externa do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, da Nasa, em novembro de 2025. NASA/Sydney Rohde Que planetas ele poderá encontrar? O Roman vai monitorar estrelas na região central da Via Láctea e procurar pequenas alterações em seu brilho. A missão usará o método de trânsito, que identifica a passagem de um planeta diante de uma estrela, e a microlente gravitacional, efeito em que a gravidade amplia temporariamente a luz de um objeto distante. As estimativas indicam que o telescópio poderá encontrar dezenas de milhares de planetas pelo trânsito e mais de mil por microlente. O Roman também poderá detectar planetas errantes, que viajam pela galáxia sem girar ao redor de uma estrela. Além disso, levará um coronógrafo, instrumento que reduz o brilho das estrelas para tentar fotografar planetas gigantes e discos de poeira onde novos mundos estão se formando. Por que a missão é importante? O Roman deverá produzir dezenas de petabytes de dados ao longo da missão principal. As informações ficarão disponíveis para pesquisadores de diferentes países, inclusive do Brasil. Sua capacidade de observar grandes áreas permitirá encontrar objetos raros e comparar milhões de galáxias, estrelas e planetas ao mesmo tempo. Ao mesmo tempo, o James Webb continuará oferecendo uma visão mais profunda e detalhada de alvos específicos. Juntos, os dois observatórios poderão combinar uma visão ampla do céu com análises precisas de seus objetos mais interessantes.