Eleitora de cabelos brancos em frente à urna eletrônica, em imagem de arquivo Divulgação/TRE-TO Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que caiu, no Distrito Federal, o número de jovens de 16 e 17 anos que tiraram título de eleitor, voluntariamente, para participar das eleições. Em 2026, 19.194 eleitores dessa idade emitiram o documento e estão aptos a votar. Em 2022, eram 31.307. A queda foi de 38,7%. São 12.113 adolescentes a menos em um período de quatro anos. Nessa faixa etária, o voto é facultativo – e mesmo quem tirou o título não precisa justificar ausência. 🔎 Em razão das eleições, o cadastro de novos eleitores foi fechado em 6 de maio, 150 dias antes do primeiro turno. 🔎 Novos pedidos de título ou de transferência só podem ser protocolados a partir de 4 de novembro. Em contrapartida, o interesse pelas eleições aumentou entre os cidadãos do DF com mais de 70 anos, para quem o voto também é facultativo. Segundo o Cadastro Eleitoral, o número de pessoas nessa faixa etária com título regularizado subiu 31,8% –de 154.327 eleitores em 2022 para 203.409 em 2026. Gráfico representa a mudança da quantidade de pessoas aptas a votar no DF por faixa etária Lara Bernardino / g1 Esses dois grupos têm o direito, mas não a obrigação de votar. Caso optem por não votar, não precisam justificar ausência e nem pagar multa. O estudante do ensino médio Vítor Lima conta que não tirar o título de eleitor foi uma escolha motivada por não ver candidatos “com propostas de sinceras melhorias” para representá-lo. “Me sinto desincentivado a votar principalmente pelas brigas políticas e pela falta de boas propostas”, compartilhou o jovem brasiliense. Procura de jovens de 16 anos pelo voto no DF está baixa Já o avô de Vítor, Manoel Gomes, chegou aos 85 anos e faz questão de votar. Para ele, essa é "uma oportunidade singular" e um momento de "obter os seus direitos de educação, saúde, segurança, trabalho e até de reduzir os impostos". Gomes afirma que se considera totalmente apto a escolher seus representantes na votação de outubro. "Eu estou completamente lúcido ainda para dar a minha opinião". Como interpretar os dados? Segundo o cientista político Emerson Cervi, o número de jovens que tiraram o título de eleitor para exercer o voto facultativo em 2026 segue a média histórica registrada pelo país. Ele aponta que, em 2022, campanhas de alistamento eleitoral e a polarização política podem ter contribuído para um pico de adesão dos adolescentes de 16 e 17 anos. "O ponto fora da curva deve ser 2022, e não 2026", pondera. ➡️Em 2018, por exemplo, 14.538 jovens nessa faixa etária foram às urnas na capital. O número se aproxima mais do número de títulos válidos, para a mesma faixa etária, nas eleições de outubro. ➡️A queda de 2026 na comparação com 2022, no entanto, foi mais acentuada no DF que na média do país. Em todo o Brasil, a adesão desses jovens ao sistema eleitoral também caiu – mas 22%, 16,7 pontos percentuais abaixo dos 38,7% do DF. Prazo para pedir voto em trânsito termina nesta quinta-feira Já em relação ao grupo com mais de 70 anos, Emerson Cervi acredita que o interesse dessa população pelo cenário político pode ter aumentado – e com isso, a intenção de participar do pleito. "São os temas que interessam [aos eleitores]. Isso depende de cada eleição", opinou ele. Cervi pontua que o crescimento demográfico dessa faixa etária – ou seja, o aumento do número de cidadãos com mais de 70 anos, desde a última eleição – não se deu no mesmo ritmo. Ou seja: o que cresceu foi mesmo o interesse, e não apenas o universo de votantes. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.
Eleições no DF: número de adolescentes com título cai 38%; adesão cresce entre eleitores 70+
Escrito em 20/08/2026
Eleitora de cabelos brancos em frente à urna eletrônica, em imagem de arquivo Divulgação/TRE-TO Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que caiu, no Distrito Federal, o número de jovens de 16 e 17 anos que tiraram título de eleitor, voluntariamente, para participar das eleições. Em 2026, 19.194 eleitores dessa idade emitiram o documento e estão aptos a votar. Em 2022, eram 31.307. A queda foi de 38,7%. São 12.113 adolescentes a menos em um período de quatro anos. Nessa faixa etária, o voto é facultativo – e mesmo quem tirou o título não precisa justificar ausência. 🔎 Em razão das eleições, o cadastro de novos eleitores foi fechado em 6 de maio, 150 dias antes do primeiro turno. 🔎 Novos pedidos de título ou de transferência só podem ser protocolados a partir de 4 de novembro. Em contrapartida, o interesse pelas eleições aumentou entre os cidadãos do DF com mais de 70 anos, para quem o voto também é facultativo. Segundo o Cadastro Eleitoral, o número de pessoas nessa faixa etária com título regularizado subiu 31,8% –de 154.327 eleitores em 2022 para 203.409 em 2026. Gráfico representa a mudança da quantidade de pessoas aptas a votar no DF por faixa etária Lara Bernardino / g1 Esses dois grupos têm o direito, mas não a obrigação de votar. Caso optem por não votar, não precisam justificar ausência e nem pagar multa. O estudante do ensino médio Vítor Lima conta que não tirar o título de eleitor foi uma escolha motivada por não ver candidatos “com propostas de sinceras melhorias” para representá-lo. “Me sinto desincentivado a votar principalmente pelas brigas políticas e pela falta de boas propostas”, compartilhou o jovem brasiliense. Procura de jovens de 16 anos pelo voto no DF está baixa Já o avô de Vítor, Manoel Gomes, chegou aos 85 anos e faz questão de votar. Para ele, essa é "uma oportunidade singular" e um momento de "obter os seus direitos de educação, saúde, segurança, trabalho e até de reduzir os impostos". Gomes afirma que se considera totalmente apto a escolher seus representantes na votação de outubro. "Eu estou completamente lúcido ainda para dar a minha opinião". Como interpretar os dados? Segundo o cientista político Emerson Cervi, o número de jovens que tiraram o título de eleitor para exercer o voto facultativo em 2026 segue a média histórica registrada pelo país. Ele aponta que, em 2022, campanhas de alistamento eleitoral e a polarização política podem ter contribuído para um pico de adesão dos adolescentes de 16 e 17 anos. "O ponto fora da curva deve ser 2022, e não 2026", pondera. ➡️Em 2018, por exemplo, 14.538 jovens nessa faixa etária foram às urnas na capital. O número se aproxima mais do número de títulos válidos, para a mesma faixa etária, nas eleições de outubro. ➡️A queda de 2026 na comparação com 2022, no entanto, foi mais acentuada no DF que na média do país. Em todo o Brasil, a adesão desses jovens ao sistema eleitoral também caiu – mas 22%, 16,7 pontos percentuais abaixo dos 38,7% do DF. Prazo para pedir voto em trânsito termina nesta quinta-feira Já em relação ao grupo com mais de 70 anos, Emerson Cervi acredita que o interesse dessa população pelo cenário político pode ter aumentado – e com isso, a intenção de participar do pleito. "São os temas que interessam [aos eleitores]. Isso depende de cada eleição", opinou ele. Cervi pontua que o crescimento demográfico dessa faixa etária – ou seja, o aumento do número de cidadãos com mais de 70 anos, desde a última eleição – não se deu no mesmo ritmo. Ou seja: o que cresceu foi mesmo o interesse, e não apenas o universo de votantes. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.