Investigação contra professora suspeita de agredir aluno com autismo em escola não avançou após dois anos, reclama família

Escrito em 12/02/2026


Investigação contra professora suspeita de agredir aluno com autismo não avançou Familiares de uma criança com autismo reclamaram da falta de avanço em um processo em que uma professora é suspeita de agredir o menino em uma escola de Fortaleza. O caso aconteceu em fevereiro de 2024, quando o menino tinha sete anos. Após dois anos, a família disse que não houve sequer a primeira audiência do caso. A família denunciou que o menino, que tem autismo, teria sido empurrado contra uma parede e agredido verbalmente por uma professora em uma escola pública da capital cearense. O caso aconteceu na Escola Liduina Correia Leite, no bairro Pici. Conforme a família, a única movimentação do caso foi a conclusão do inquérito policial. O g1 entrou em contato com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social sobre o inquérito, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem. O Ministério Publico do Ceará informou que o processo instaurado em 2024 tramita na 13ª Vara da Fazenda Pública. “O MP foi intimado pela Justiça para comparecer à próxima audiência no dia 15 de abril para atuar na defesa dos direitos do menor”, disse o órgão ministerial. O Tribunal de Justiça do Ceará disse que processo referente ao caso está em tramitação regular na Vara Especializada em Crimes Contra a Criança e o Adolescente da Comarca de Fortaleza. “A denúncia foi ofertada em dezembro de 2025 e a ação está com prazo para a resposta à acusação. O caso está em segredo de justiça e mais informações não podem ser repassadas”, argumentou a Justiça. Já a Secretaria Municipal de Educação (SME) de Fortaleza disse que, em 2024, abriu um processo investigativo interno para apurar o caso. O órgão municipal disse que não foram encontradas provas que comprovassem a agressão denunciada. Por isso, acionou o Ministério Público para que uma apuração mais detalhada fosse realizada. A SME informou que a professora segue trabalhando na rede municipal de educação, mas não repassou se ela segue trabalhando na mesma escola. Revolta da família O g1 conversou com Diôgo Gonçalves, pai do menino que teria sido agredido. Entre as reclamações, ele destacou a falta de respostas efetivas dos órgãos públicos durante esse dois anos. “A cada dia que passa é muito angustiante para a gente; como pai, como mãe, como familiares também, os que são mais chegados ao Apolo. É uma situação muito revoltante, é uma situação angustiante, porque já vai fazer dois anos e não se resolve. A gente não recebe retorno algum”, reclamou o pai. “A gente se sente impotente, sente que a Justiça não funciona, porque ninguém, ao menos, liga pra que o Apolo passou. Ninguém também está interessado em resolver. Depois do ocorrido, e durante o período que ele estudou na Escola Liduina Leite, o Apolo era uma criança que não queria ir pra escola, de jeito nenhum. Ele era muito resistente em ir à escola, muito provavelmente pelo tratamento que ele recebia por parte da professora”, denunciou o pai. Conforme Diôgo, a situação, inclusive, atrapalhou o processo de aprendizado da criança. O menino, após o caso, trocou de escola e atualmente é acompanhado por uma tutora na instituição nova. “A gente não pode normalizar situações como essa, por que quantos pais, quantas mães estão sofrendo por terem filhos com neurodivergência e passam por situações semelhantes a que eu passei com meu filho ou até piores?!”, reforçou Diôgo. 'Remédio pra doido é outro doido' À época da denúncia, a família disse que o motivo da agressão teria sido porque a criança estava falando palavrões em sala de aula. Um colega de classe disse que a professora estaria muito estressada, teria pegado com bastante força a mão do menino, pressionado ele contra uma parede (janelão de vidro) e dito: "Você vai aprender a me respeitar agora. Remédio pra doido é outro doido". O caso aconteceu no fim de fevereiro de 2024, mas a família ficou sabendo apenas no dia 8 de março do mesmo ano — data em que registrou um boletim de ocorrência. A família, em 2024, disse que teve acesso a documentos feitos pela escola mostrando que a professora tinha um histórico "problemático", com outros relatos de abusos. Questionada, a professora disse que não lembrava do caso e negou as acusações. Na época, ela disse que aceitaria ajuda psicológica e que se afastaria das atividades. A identidade da professora não foi repassada. Pai denuncia agressão contra criança com autismo em escola Assista aos vídeos mais vistos do Ceará