Haddad volta a criticar privatização da Sabesp: 'Se transformou num problema' O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, voltou a criticar a privatização da Sabesp na tarde desta terça-feira (16), em Santa Gertrudes, no interior de SP. Ele esteve em uma reunião com representantes da indústria de cerâmica e revestimento, Ciesp e associações comerciais. O petista classificou o processo de desestatização da empresa de saneamento básico paulista, conduzida pela gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), como um "erro" e que "uma companhia saudável hoje se transformou num problema para São Paulo". Ele já havia criticado o processo em evento da revista 'Veja', na segunda (15), quando afirmou que a empresa foi vendida à iniciativa privada "em uma mesa de amigos”, com critérios “opacos e sem transparência”. (veja mais abaixo). 📱 Siga o g1 São Carlos e Araraquara no Instagram LEIA TAMBÉM: Em evento com Tarcísio, Haddad afirma que Sabesp foi vendida ‘em mesa de amigos’; já governador apoia privatização e diz focar 'em resultado' 'Reconhecer erro' O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad Reprodução/EPTV Questionado sobre o que fazer com a Sabesp, o pré-candidato afirmou que é preciso "reconhecer o erro de como tudo foi feito". "A primeira providência é você ter um concorrente. Os demais foram sendo, ao longo do processo, excluídos pela inclusão de cláusulas indesejáveis. Então, afunilou para um único concorrente uma das maiores empresas de saneamento do mundo", disse. "Aí você vende pelo menor preço, porque não é pelo maior preço que você vendeu, porque só tinha um concorrente. Aí você vende outro tanto da Sabesp, mais 17% da Sabesp, pelo preço do leilão de um concorrente, escolhendo para quem vender, numa sala fechada. Se você fizer uma comparação entre o preço da venda e o preço de mercado, você tem um prejuízo de 3,5 a 4 bilhões de reais na largada", afirmou. "Fora o aumento da conta, fora as obras mal feitas, fora os acidentes, fora as mortes, fora as moradias que foram prejudicadas, que estão interditadas, não podem ser utilizadas. É muito grave o que aconteceu", afirmou em referência a uma obra da Sabesp que atingiu uma tubulação de gás, causando uma explosão que matou dois homens e atingiu ao menos 46 imóveis em 11 de maio, na Zona Oeste de São Paulo. Vendida em uma 'mesa de amigos' O ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), pré-candidato ao governo de SP, em evento da revista Veja em São Paulo, nesta segunda-feira (15). Reprodução/GloboNewes Na segunda, no evento promovido pela revista "Veja" e com a presença do próprio Tarcísio, Haddad afirmou que a empresa foi vendida à iniciativa privada "em uma mesa de amigos”, com critérios “opacos e sem transparência”. Um pouco antes, o governador paulista havia defendido a privatização da companhia e afirmado que ela foi necessária para preservar a capacidade de investimento da companhia, acelerar a universalização do saneamento e antecipar as metas previstas no Marco do Saneamento (leia mais abaixo). De acordo com o ex-ministro da Fazenda, "quando a gente critica a privatização da Sabesp, é porque a gente abriu mão de R$ 3,7 bilhões na segunda etapa da privatização". "Em nome do quê fizemos isso? Por que nós canalizamos a concessão para uma empresa só, acrescentando cláusulas que afastavam outros investidores? Foram três cláusulas acrescentadas para afastar investidores e ficou na mão de um”, disse. “E, para piorar, depois de vender para um só dos interessados, que obviamente ofereceu o preço que lhe convinha, porque não tinha concorrente, ainda vendeu para amigos. Para pessoas escolhidas numa mesa, com critérios absolutamente opacos e sem transparência”, declarou. A declaração foi dada após uma pergunta sobre os governos petistas serem contrários às concessões. Em entrevista coletiva após a participação no evento, Haddad foi questionado se pretende reestatizar a Sabesp e afirmou que o tema deve ser tratado com "muita seriedade" porque, em geral, "quem vende patrimônio público amarra no contrato um série de cláusulas que impedem muitas vezes uma revisão". "Tenho que analisar com a área jurídica todas as consequências. Agora, o que eu posso garantir é que o Tarcísio prometeu diminuir a conta de água. Está todo mundo vendo que era uma mentira. Se foi má-fé ou erro técnico, nós vamos apurar. Quem está financiando os investimentos é o consumidor, inclusive pagando duas vezes pela manutenção", afirmou. O petista disse também que vai rever outros contratos da gestão Tarcísio, como o Muralha Paulista e aditamento da Linha 6-Laranja do metrô. O que disse Tarcísio O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, durante evento da revista Veja, nesta segunda-feira (15). Reprodução/GloboNews A fala do petista foi feita logo depois que Tarcísio discursou no evento. Minutos antes, o governador, que disputa a reeleição, foi questionado sobre as críticas à privatização da empresa e afirmou que "o pessoal leva sempre para o lado da política; a gente está focando em resultado". Segundo Tarcísio, os efeitos da medida já podem ser observados em regiões da Grande São Paulo. Ele citou como exemplo o município de Guarulhos, que, de acordo com os dados apresentados por ele, passou de 2% de tratamento de esgoto em 2019 para 45% atualmente, com expectativa de atingir 78% até o fim deste ano. Ao comentar a resistência de parte da população às privatizações, Tarcísio afirmou que o debate costuma ser contaminado por questões ideológicas e defendeu que os resultados práticos sejam o principal critério de avaliação. "Ideologia e aritmética são dois valores que não se misturam", disse. VÍDEOS DA EPTV:
Haddad volta a criticar privatização da Sabesp: 'Companhia saudável se transformou num problema'
Escrito em 17/06/2026
Haddad volta a criticar privatização da Sabesp: 'Se transformou num problema' O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, voltou a criticar a privatização da Sabesp na tarde desta terça-feira (16), em Santa Gertrudes, no interior de SP. Ele esteve em uma reunião com representantes da indústria de cerâmica e revestimento, Ciesp e associações comerciais. O petista classificou o processo de desestatização da empresa de saneamento básico paulista, conduzida pela gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), como um "erro" e que "uma companhia saudável hoje se transformou num problema para São Paulo". Ele já havia criticado o processo em evento da revista 'Veja', na segunda (15), quando afirmou que a empresa foi vendida à iniciativa privada "em uma mesa de amigos”, com critérios “opacos e sem transparência”. (veja mais abaixo). 📱 Siga o g1 São Carlos e Araraquara no Instagram LEIA TAMBÉM: Em evento com Tarcísio, Haddad afirma que Sabesp foi vendida ‘em mesa de amigos’; já governador apoia privatização e diz focar 'em resultado' 'Reconhecer erro' O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad Reprodução/EPTV Questionado sobre o que fazer com a Sabesp, o pré-candidato afirmou que é preciso "reconhecer o erro de como tudo foi feito". "A primeira providência é você ter um concorrente. Os demais foram sendo, ao longo do processo, excluídos pela inclusão de cláusulas indesejáveis. Então, afunilou para um único concorrente uma das maiores empresas de saneamento do mundo", disse. "Aí você vende pelo menor preço, porque não é pelo maior preço que você vendeu, porque só tinha um concorrente. Aí você vende outro tanto da Sabesp, mais 17% da Sabesp, pelo preço do leilão de um concorrente, escolhendo para quem vender, numa sala fechada. Se você fizer uma comparação entre o preço da venda e o preço de mercado, você tem um prejuízo de 3,5 a 4 bilhões de reais na largada", afirmou. "Fora o aumento da conta, fora as obras mal feitas, fora os acidentes, fora as mortes, fora as moradias que foram prejudicadas, que estão interditadas, não podem ser utilizadas. É muito grave o que aconteceu", afirmou em referência a uma obra da Sabesp que atingiu uma tubulação de gás, causando uma explosão que matou dois homens e atingiu ao menos 46 imóveis em 11 de maio, na Zona Oeste de São Paulo. Vendida em uma 'mesa de amigos' O ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), pré-candidato ao governo de SP, em evento da revista Veja em São Paulo, nesta segunda-feira (15). Reprodução/GloboNewes Na segunda, no evento promovido pela revista "Veja" e com a presença do próprio Tarcísio, Haddad afirmou que a empresa foi vendida à iniciativa privada "em uma mesa de amigos”, com critérios “opacos e sem transparência”. Um pouco antes, o governador paulista havia defendido a privatização da companhia e afirmado que ela foi necessária para preservar a capacidade de investimento da companhia, acelerar a universalização do saneamento e antecipar as metas previstas no Marco do Saneamento (leia mais abaixo). De acordo com o ex-ministro da Fazenda, "quando a gente critica a privatização da Sabesp, é porque a gente abriu mão de R$ 3,7 bilhões na segunda etapa da privatização". "Em nome do quê fizemos isso? Por que nós canalizamos a concessão para uma empresa só, acrescentando cláusulas que afastavam outros investidores? Foram três cláusulas acrescentadas para afastar investidores e ficou na mão de um”, disse. “E, para piorar, depois de vender para um só dos interessados, que obviamente ofereceu o preço que lhe convinha, porque não tinha concorrente, ainda vendeu para amigos. Para pessoas escolhidas numa mesa, com critérios absolutamente opacos e sem transparência”, declarou. A declaração foi dada após uma pergunta sobre os governos petistas serem contrários às concessões. Em entrevista coletiva após a participação no evento, Haddad foi questionado se pretende reestatizar a Sabesp e afirmou que o tema deve ser tratado com "muita seriedade" porque, em geral, "quem vende patrimônio público amarra no contrato um série de cláusulas que impedem muitas vezes uma revisão". "Tenho que analisar com a área jurídica todas as consequências. Agora, o que eu posso garantir é que o Tarcísio prometeu diminuir a conta de água. Está todo mundo vendo que era uma mentira. Se foi má-fé ou erro técnico, nós vamos apurar. Quem está financiando os investimentos é o consumidor, inclusive pagando duas vezes pela manutenção", afirmou. O petista disse também que vai rever outros contratos da gestão Tarcísio, como o Muralha Paulista e aditamento da Linha 6-Laranja do metrô. O que disse Tarcísio O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, durante evento da revista Veja, nesta segunda-feira (15). Reprodução/GloboNews A fala do petista foi feita logo depois que Tarcísio discursou no evento. Minutos antes, o governador, que disputa a reeleição, foi questionado sobre as críticas à privatização da empresa e afirmou que "o pessoal leva sempre para o lado da política; a gente está focando em resultado". Segundo Tarcísio, os efeitos da medida já podem ser observados em regiões da Grande São Paulo. Ele citou como exemplo o município de Guarulhos, que, de acordo com os dados apresentados por ele, passou de 2% de tratamento de esgoto em 2019 para 45% atualmente, com expectativa de atingir 78% até o fim deste ano. Ao comentar a resistência de parte da população às privatizações, Tarcísio afirmou que o debate costuma ser contaminado por questões ideológicas e defendeu que os resultados práticos sejam o principal critério de avaliação. "Ideologia e aritmética são dois valores que não se misturam", disse. VÍDEOS DA EPTV: