Morro do Diabo: lendas atraem visitantes para área de Mata Atlântica O topo do Morro do Diabo não reserva apenas uma vista privilegiada para os quase 34 mil hectares de Mata Atlântica que o cercam. No ponto mais alto da elevação, lendas permanecem vivas e ajudam a atrair visitantes curiosos sobre os mistérios que rondam a região. Quem chega ao Parque Estadual Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio (SP), logo fica curioso sobre o nome da elevação de quase 500 metros que se destaca no horizonte. Mas, afinal, por que Morro do Diabo? 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp Para celebrar o Dia do Folclore, neste 22 de agosto, o g1 conversou com o gestor do parque, Eriqui Inazaki, para saber mais sobre o contexto histórico por trás do nome, mas também sobre as lendas transmitidas até hoje pelo "boca a boca" daqueles que se fascinam com as paisagens e as curiosidades do local. O nome do morro remete a um episódio ocorrido no século XVII, entre os anos de 1630 e 1640. Segundo o gestor do parque, há registros históricos da passagem de bandeirantes pela região do Pontal do Paranapanema. Um grupo teria encontrado uma aldeia indígena e rendido mulheres e crianças. Ao voltarem da caça, os homens que viviam ali perceberam a invasão e armaram uma emboscada, que terminou na morte dos invasores. Elevação de quase 500 metros de altura é destaque na região do Pontal do Paranapanema (SP) Fundação Florestal/Divulgação “Por considerarem que os bandeirantes não eram dignos de serem enterrados naquele solo, os indígenas levaram os mortos para o alto do morro. Outra expedição de bandeirantes encontrou os corpos expostos lá em cima e alguém teria dito que aquilo era ‘coisa do diabo’”, resume Inazaki. Essa explicação e o contexto histórico estão detalhados em painéis mantidos pelo parque no topo do Morro do Diabo para os visitantes que encaram a trilha que leva até o ponto mais alto. “Brincamos com os visitantes que somente lá em cima é que eles ficam sabendo sobre a origem do nome”, conta o gestor. Lendas populares Mas nem sempre são os fatos que prevalecem no imaginário popular. O Morro do Diabo também está cercado de lendas que buscam dar sentido ao nome da elevação e do parque, criado como reserva em 1941. Há quem diga que aqueles que sobem 10 vezes o morro até o topo veem o diabo em pessoa. Outros afirmam que o nome faz alusão a uma rocha esculpida pelo tempo e cujo formato lembra uma poltrona, que se destaca nas noites de lua cheia e que também pertenceria ao "sete-peles". Também circula por aí uma versão que mistura elementos históricos e relatos não comprovados. Ela faz menção ao Rio Paranapanema e às “correntezas do diabo”, movimento intenso das águas que faziam com que as embarcações tombassem. Esses barcos traziam à região expedições que mapeavam o curso dos rios, como aquela feita por Teodoro Fernandes Sampaio, engenheiro que dá nome ao município. Parque Estadual Morro do Diabo abriga cerca de 34 mil hectares de Mata Atlântica, a maior área do interior paulista Fundação Florestal/Divulgação Nada 'do diabo' Os nomes do morro e do parque não agradam a todos, mas Inazaki defende a origem histórica e as lendas que acabam atraindo visitantes para a área. “Algumas pessoas ficam com receio e chegam aqui com medo, mas saem encantadas”, diz o gestor. Basta o primeiro contato com a paisagem para que os cerca de 3 mil visitantes que o parque recebe por mês percebam que ali não há nada “do diabo”. O Parque Estadual do Morro do Diabo guarda o maior fragmento de Mata Atlântica do interior paulista, além de ser a casa da maior população livre do mico-leão-preto, espécie que chegou a ser considerada extinta e que foi redescoberta na região. Símbolo de preservação ambiental, o parque abriga diversas espécies da fauna, algumas ameaçadas de extinção, como anta, bugio e onça-pintada. Em abril de 2026, um turista chegou a ficar cara a cara com duas onças-pardas e registrou esse “momento mágico” vivido em uma das trilhas da área de conservação. Desafios para a preservação A preservação de tantas belezas naturais é um desafio para a administração do parque. Inazaki cita o combate aos crimes de caça e pesca predatória, frisando a importância das ações de fiscalização, proteção e educação ambiental realizadas na região, além do aumento dos cuidados para evitar que os hectares de Mata Atlântica sejam alcançados por incêndios. “Foram feitos investimentos para a contratação de brigadistas, equipamentos e tanques-pipa que ajudam muito. Há mais de 10 anos não registramos fogo dentro do parque, apenas no entorno, mas fazemos um trabalho de prevenção ao longo de todo o ano”, finaliza o gestor. Lendas sobre o nome da elevação despertam a curiosidade dos visitantes do parque, que recebe 3 mil pessoas por mês Fundação Florestal/Divulgação Preservação ambiental do parque é desafio diante de ameaças como incêndios, caça e pesca predatória Fundação Florestal/Divulgação O Parque Estadual Morro do Diabo foi criado em 1941, ainda como reserva ambiental Fundação Florestal/Divulgação Initial plugin text Veja mais notícias em g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM
Morro do Diabo: lendas, emboscada indígena e até aparições fazem parte da história de parque no interior de SP
Escrito em 22/08/2026
Morro do Diabo: lendas atraem visitantes para área de Mata Atlântica O topo do Morro do Diabo não reserva apenas uma vista privilegiada para os quase 34 mil hectares de Mata Atlântica que o cercam. No ponto mais alto da elevação, lendas permanecem vivas e ajudam a atrair visitantes curiosos sobre os mistérios que rondam a região. Quem chega ao Parque Estadual Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio (SP), logo fica curioso sobre o nome da elevação de quase 500 metros que se destaca no horizonte. Mas, afinal, por que Morro do Diabo? 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp Para celebrar o Dia do Folclore, neste 22 de agosto, o g1 conversou com o gestor do parque, Eriqui Inazaki, para saber mais sobre o contexto histórico por trás do nome, mas também sobre as lendas transmitidas até hoje pelo "boca a boca" daqueles que se fascinam com as paisagens e as curiosidades do local. O nome do morro remete a um episódio ocorrido no século XVII, entre os anos de 1630 e 1640. Segundo o gestor do parque, há registros históricos da passagem de bandeirantes pela região do Pontal do Paranapanema. Um grupo teria encontrado uma aldeia indígena e rendido mulheres e crianças. Ao voltarem da caça, os homens que viviam ali perceberam a invasão e armaram uma emboscada, que terminou na morte dos invasores. Elevação de quase 500 metros de altura é destaque na região do Pontal do Paranapanema (SP) Fundação Florestal/Divulgação “Por considerarem que os bandeirantes não eram dignos de serem enterrados naquele solo, os indígenas levaram os mortos para o alto do morro. Outra expedição de bandeirantes encontrou os corpos expostos lá em cima e alguém teria dito que aquilo era ‘coisa do diabo’”, resume Inazaki. Essa explicação e o contexto histórico estão detalhados em painéis mantidos pelo parque no topo do Morro do Diabo para os visitantes que encaram a trilha que leva até o ponto mais alto. “Brincamos com os visitantes que somente lá em cima é que eles ficam sabendo sobre a origem do nome”, conta o gestor. Lendas populares Mas nem sempre são os fatos que prevalecem no imaginário popular. O Morro do Diabo também está cercado de lendas que buscam dar sentido ao nome da elevação e do parque, criado como reserva em 1941. Há quem diga que aqueles que sobem 10 vezes o morro até o topo veem o diabo em pessoa. Outros afirmam que o nome faz alusão a uma rocha esculpida pelo tempo e cujo formato lembra uma poltrona, que se destaca nas noites de lua cheia e que também pertenceria ao "sete-peles". Também circula por aí uma versão que mistura elementos históricos e relatos não comprovados. Ela faz menção ao Rio Paranapanema e às “correntezas do diabo”, movimento intenso das águas que faziam com que as embarcações tombassem. Esses barcos traziam à região expedições que mapeavam o curso dos rios, como aquela feita por Teodoro Fernandes Sampaio, engenheiro que dá nome ao município. Parque Estadual Morro do Diabo abriga cerca de 34 mil hectares de Mata Atlântica, a maior área do interior paulista Fundação Florestal/Divulgação Nada 'do diabo' Os nomes do morro e do parque não agradam a todos, mas Inazaki defende a origem histórica e as lendas que acabam atraindo visitantes para a área. “Algumas pessoas ficam com receio e chegam aqui com medo, mas saem encantadas”, diz o gestor. Basta o primeiro contato com a paisagem para que os cerca de 3 mil visitantes que o parque recebe por mês percebam que ali não há nada “do diabo”. O Parque Estadual do Morro do Diabo guarda o maior fragmento de Mata Atlântica do interior paulista, além de ser a casa da maior população livre do mico-leão-preto, espécie que chegou a ser considerada extinta e que foi redescoberta na região. Símbolo de preservação ambiental, o parque abriga diversas espécies da fauna, algumas ameaçadas de extinção, como anta, bugio e onça-pintada. Em abril de 2026, um turista chegou a ficar cara a cara com duas onças-pardas e registrou esse “momento mágico” vivido em uma das trilhas da área de conservação. Desafios para a preservação A preservação de tantas belezas naturais é um desafio para a administração do parque. Inazaki cita o combate aos crimes de caça e pesca predatória, frisando a importância das ações de fiscalização, proteção e educação ambiental realizadas na região, além do aumento dos cuidados para evitar que os hectares de Mata Atlântica sejam alcançados por incêndios. “Foram feitos investimentos para a contratação de brigadistas, equipamentos e tanques-pipa que ajudam muito. Há mais de 10 anos não registramos fogo dentro do parque, apenas no entorno, mas fazemos um trabalho de prevenção ao longo de todo o ano”, finaliza o gestor. Lendas sobre o nome da elevação despertam a curiosidade dos visitantes do parque, que recebe 3 mil pessoas por mês Fundação Florestal/Divulgação Preservação ambiental do parque é desafio diante de ameaças como incêndios, caça e pesca predatória Fundação Florestal/Divulgação O Parque Estadual Morro do Diabo foi criado em 1941, ainda como reserva ambiental Fundação Florestal/Divulgação Initial plugin text Veja mais notícias em g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM