Departamento de Justiça dos EUA processa presidente do Banco Central Nos Estados Unidos, o Departamento de Justiça está processando O presidente do Banco Central. Esse caso expõe uma pressão inédita da Casa Branca sobre o Federal Reserve. O presidente Jerome Powell reagiu, nesta segunda-feira (12). Acusou Donald Trump de intimidar a instituição para forçar uma redução na taxa de juros. Desde o início do governo, há quase um ano, o presidente Donald Trump pressiona o presidente do Banco Central americano a baixar os juros pra estimular o consumo e o crescimento da economia. Já ameaçou demitir Jerome Powell – algo que nunca aconteceu nos Estados Unidos. Em agosto de 2025 , Trump mandou retirar do cargo uma diretora do banco, Lisa Cook, nomeada pelo ex-presidente Joe Biden. O governo acusou Cook de mentir para conseguir um financiamento a juros baixos pra comprar uma casa. Cook negou a acusação e entrou na Justiça para impedir a demissão. Ela permanece no cargo. Ao longo do ano, a Casa Branca subiu o tom contra Jerome Powell. Chegou a chamá-lo de “mula de teimosia” por manter a independência do Banco Central e não reduzir as taxas em um momento em que a inflação permanece alta pros padrões americanos. Em novembro, a inflação em 12 meses ficou em 2,7% - acima da meta do Fed, que é de 2%. Desde setembro, o Fed cortou três vezes os juros. Atualmente, a taxa está entre 3,5% e 3,75% ao ano. Na sexta-feira (9), o presidente do Fed foi notificado de que está sendo processado pelo Departamento de Justiça. Powell é acusado de má administração numa reforma na sede do Banco Central americano e de mentir ao Congresso sobre os gastos com a obra. No domingo (11), Jerome Powell divulgou um vídeo. Na gravação, ele diz: “isso não é sobre o meu testemunho ou sobre a reforma nos prédios do Fed. A ameaça de processos criminais é uma consequência no fato de o Banco Central fixar as taxas baseado na avaliação sobre o que vai beneficiar o público e não seguindo as preferências do presidente". Powell acrescentou: “Tenho profundo respeito pelo Estado de Direito e pela responsabilização em nossa democracia. Ninguém — certamente nem o presidente do Fed— está acima da lei. Mas essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças e da pressão contínua do governo. Isso é sobre saber se o Fed poderá continuar a definir as taxas de juros com base em dados e nas condições econômicas — ou se a política monetária será dirigida por pressão política ou intimidação." Os três últimos presidentes do Fed, Janet Yellen, Ben Bernanke e Alan Greenspan classificaram o ataque de Trump a Powell sem precedentes. E compararam a investigação à interferência na independência dos bancos centrais feita em mercados emergentes. Nesta segunda-feira (12), a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, negou as alegações de Powell e disse que Trump acredita na independência do Fed. A legislação que estabelece a independência do Federal Reserve foi criada pelo Congresso americano para proteger o Banco Central de interferências políticas. Os 12 diretores que decidem a taxa de juros são indicados pelo presidente e aprovados pelo Senado para mandatos de 14 anos e não podem ser demitidos sem motivos graves. "O que nós sabemos é que a incerteza não é uma boa companheira de um crescimento robusto com baixa inflação é uma condição, eu diria muito adversa. É preocupante ao ponto que o ex-presidente do Banco Central americano, que ex-diretores estão vindo a público dizer, olha, isso não tem precedente. Isso é algo inimaginável, que o departamento de justiça, que seria o ministério da justiça aqui no brasil esteja perseguindo o presidente do Banco Central. Isso é coisa que sinceramente, se algum tempo atrás dissesse isso vai acontecer. Eu diria que praticamente ninguém acreditaria", afirma Claudio Freistach, ex-economista do BIRD. Presidente do Banco Central americano é investigado por mentir sobre gastos e fala em intimidação por parte do governo Trump Reprodução/TV Globo
Presidente do Banco Central americano é investigado por mentir sobre gastos e fala em intimidação por parte do governo Trump
Escrito em 13/01/2026
Departamento de Justiça dos EUA processa presidente do Banco Central Nos Estados Unidos, o Departamento de Justiça está processando O presidente do Banco Central. Esse caso expõe uma pressão inédita da Casa Branca sobre o Federal Reserve. O presidente Jerome Powell reagiu, nesta segunda-feira (12). Acusou Donald Trump de intimidar a instituição para forçar uma redução na taxa de juros. Desde o início do governo, há quase um ano, o presidente Donald Trump pressiona o presidente do Banco Central americano a baixar os juros pra estimular o consumo e o crescimento da economia. Já ameaçou demitir Jerome Powell – algo que nunca aconteceu nos Estados Unidos. Em agosto de 2025 , Trump mandou retirar do cargo uma diretora do banco, Lisa Cook, nomeada pelo ex-presidente Joe Biden. O governo acusou Cook de mentir para conseguir um financiamento a juros baixos pra comprar uma casa. Cook negou a acusação e entrou na Justiça para impedir a demissão. Ela permanece no cargo. Ao longo do ano, a Casa Branca subiu o tom contra Jerome Powell. Chegou a chamá-lo de “mula de teimosia” por manter a independência do Banco Central e não reduzir as taxas em um momento em que a inflação permanece alta pros padrões americanos. Em novembro, a inflação em 12 meses ficou em 2,7% - acima da meta do Fed, que é de 2%. Desde setembro, o Fed cortou três vezes os juros. Atualmente, a taxa está entre 3,5% e 3,75% ao ano. Na sexta-feira (9), o presidente do Fed foi notificado de que está sendo processado pelo Departamento de Justiça. Powell é acusado de má administração numa reforma na sede do Banco Central americano e de mentir ao Congresso sobre os gastos com a obra. No domingo (11), Jerome Powell divulgou um vídeo. Na gravação, ele diz: “isso não é sobre o meu testemunho ou sobre a reforma nos prédios do Fed. A ameaça de processos criminais é uma consequência no fato de o Banco Central fixar as taxas baseado na avaliação sobre o que vai beneficiar o público e não seguindo as preferências do presidente". Powell acrescentou: “Tenho profundo respeito pelo Estado de Direito e pela responsabilização em nossa democracia. Ninguém — certamente nem o presidente do Fed— está acima da lei. Mas essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças e da pressão contínua do governo. Isso é sobre saber se o Fed poderá continuar a definir as taxas de juros com base em dados e nas condições econômicas — ou se a política monetária será dirigida por pressão política ou intimidação." Os três últimos presidentes do Fed, Janet Yellen, Ben Bernanke e Alan Greenspan classificaram o ataque de Trump a Powell sem precedentes. E compararam a investigação à interferência na independência dos bancos centrais feita em mercados emergentes. Nesta segunda-feira (12), a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, negou as alegações de Powell e disse que Trump acredita na independência do Fed. A legislação que estabelece a independência do Federal Reserve foi criada pelo Congresso americano para proteger o Banco Central de interferências políticas. Os 12 diretores que decidem a taxa de juros são indicados pelo presidente e aprovados pelo Senado para mandatos de 14 anos e não podem ser demitidos sem motivos graves. "O que nós sabemos é que a incerteza não é uma boa companheira de um crescimento robusto com baixa inflação é uma condição, eu diria muito adversa. É preocupante ao ponto que o ex-presidente do Banco Central americano, que ex-diretores estão vindo a público dizer, olha, isso não tem precedente. Isso é algo inimaginável, que o departamento de justiça, que seria o ministério da justiça aqui no brasil esteja perseguindo o presidente do Banco Central. Isso é coisa que sinceramente, se algum tempo atrás dissesse isso vai acontecer. Eu diria que praticamente ninguém acreditaria", afirma Claudio Freistach, ex-economista do BIRD. Presidente do Banco Central americano é investigado por mentir sobre gastos e fala em intimidação por parte do governo Trump Reprodução/TV Globo