Professora intoxicada por mercúrio: mesmo após vídeo e laudo, investigação segue sem conclusão após um ano

Escrito em 21/07/2026

Professora de artesanato acusa aluna por intoxicação com mercúrio Mais de um ano após descobrir que estava sendo intoxicada com mercúrio, uma professora voluntária em Pernambuco ainda espera a conclusão da investigação. Com vídeos que mostram a principal suspeita mexendo em sua garrafa de água, laudos periciais que confirmaram a presença do metal nas garrafas e exames que apontaram contaminação no sangue e na urina da vítima, a defesa cobra mais rapidez no andamento do inquérito. 🔎O mercúrio é um metal altamente tóxico, proibido em termômetros no Brasil desde 2019, e pode provocar danos graves ao cérebro, além de atingir órgãos como rins, intestino e pele. O caso A investigação teve início depois que a professora Denny passou a desconfiar da mudança no gosto da água e do comportamento de uma aluna do curso de artesanato onde atuava como voluntária. Para confirmar as suspeitas, ela instalou um celular escondido na sala de aula. As imagens registraram a mulher colocando um material dentro da garrafa de água da professora em duas ocasiões. As garrafas foram encaminhadas para perícia, que confirmou a presença de mercúrio no líquido. Exames realizados na vítima também detectaram o metal no sangue e na urina. Segundo os médicos, a concentração encontrada no organismo era quatro vezes superior ao limite considerado tolerável e pode causar danos neurológicos permanentes. Apesar das provas reunidas, a investigação ainda não foi concluída. Para a defesa da professora, o tempo transcorrido preocupa. "Para o leigo, talvez só a filmagem e os depoimentos seriam suficientes. A gente está tratando de buscar mais informações capazes de demonstrar que ela praticou a conduta", afirmou o delegado responsável pelo caso. O advogado da vítima, no entanto, cobra mais celeridade. "Já estamos com um lapso de quase um ano. Os laudos já apontavam que era mercúrio. A defesa hoje busca uma conclusão da investigação, mas uma conclusão bem feita", afirmou. A polícia trabalha com a hipótese de tentativa de homicídio. Segundo o delegado, a linha de investigação considera que a suspeita teria colocado mercúrio na água de forma repetida e consciente, o que reforça a possibilidade de que a intenção fosse provocar a morte da professora. A investigada nega as acusações. Em nota, a defesa informou que ela faz tratamento por transtornos mentais e que não comentará o caso para não prejudicar a conclusão do inquérito. De acordo com a polícia, até o momento não foram apresentados documentos que comprovem esse diagnóstico. Enquanto aguarda o desfecho da investigação, Deni segue convivendo com as sequelas da intoxicação. Ela relata dificuldades para caminhar, realizar tarefas domésticas e recuperar a força nas mãos, mas diz manter a esperança de voltar a ter a vida que levava antes da intoxicação. 'Foi desesperador'; professora intoxicada por mercúrio conta como gravou aluna colocando metal em garrafa de água GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.