Governo de Lula avalia que EUA devem cobrar contrapartidas para novas reduções no tarifaço

Escrito em 30/11/2025


Café brasileiro ganha força com fim de tarifaço nos EUA O governo brasileiro avalia que os Estados Unidos devem pedir contrapartidas para fazer novas reduções no tarifaço aos produtos brasileiros. Em 20 de novembro, o governo de Donald Trump anunciou a retirada do tarifaço de 40% sobre alguns produtos brasileiros, como carne e café. Os anúncios trouxeram alívio para boa parte dos produtos do agronegócio, mas ainda afetam a principalmente a indústria, já que os produtos manufaturados seguem com taxa de 40%. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), 22% das exportações brasileiras aos EUA seguem sujeitas às sobretaxas de 40% — ou de 10% somadas aos 40%, dependendo do produto. Outros 15% ainda enfrentam apenas a tarifa extra de 10%. Com base nas exportações brasileiras de US$ 40,4 bilhões para os EUA em 2024, o governo fez a seguinte divisão: US$ 8,9 bilhões seguem sob o tarifaço de 40%; US$ 6,2 bilhões continuam com tarifa extra de 10%; US$ 14,3 bilhões estão isentos de sobretaxas; US$ 10,9 bilhões são afetados pelas tarifas da Seção 232. Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático - ASEAN em Kuala Lampur, Malásia. Ricardo Stuckert/Presidência da República Contrpartidas O governo acredita que os norte-americanos vão querer algo em troca para avançar nas negociações, mas ainda não houve nenhuma sinalização de qual seria a demanda dos EUA. Além da questão industrial, o governo do Brasil quer resolver em um curto prazo também as sanções impostas a autoridades brasileiras. Entre elas estão a suspensão de vistos de ministros e a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é de que houve uma tentativa de colocar a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no início das negociações como uma pauta, mas o tema nem entrou na mesa de fato. Agora, com a abertura de diálogo entre os dois países, as sanções fazem menos sentido, na visão do governo brasileiro. Em julho, Trump escreveu que Bolsonaro deveria ser "deixado em paz" e usou a expressão "caça às bruxas".