Falsa médica presa em João Pessoa pode responder por pelo menos quatro crimes, afirma delegado

Escrito em 28/08/2026


Suspeita teria utilizado silicone de construção em pacientes que teve complicações Reprodução/TV Cabo Branco Isabela de Melo Dantas, a mulher presa nesta quinta-feira (27) suspeita de se passar por médica especialista em harmonização de glúteos, pode responder por pelo menos quatro crimes, como afirma o delegado responsável pelo caso. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp Até o momento, pelo menos seis vítimas já prestaram queixa contra Isabela. O delegado responsável pelo caso, Bruno Victor Germano, afirmou à TV Cabo Branco que Isabela pode responder por exercício ilegal da medicina, aplicação de medicamentos irregulares e outros crimes. " (Ela pode responder por) estelionato, uso irregular e fraudulento da medicina, uso indevido de medicações falsas e fraudulentas, e também o uso indevido de medicações falsas e fraudulentas, também questões de indenização.” afirma o delegado. Dentro das denúncias recebidas pela polícia, estão o uso de ar, soro e até de silicone de construção nos procedimentos, complicações de saúde nas pacientes, incluindo a necessidade de procedimentos cirúrgicos de emergência. Por aplicar medicamentos fraudulentos, a falsa médica pode pegar até 15 anos de prisão, de acordo com o artigo 273 do Código Penal. Isabela de Melo Dantas atendia em um prédio empresarial localizado na Avenida Epitácio Pessoa, em João Pessoa. Nas redes sociais, ela se identifica como "Doutora Isabela Dantas", "rainha da harmonização glútea", "referência em harmonização glútea" e "Especialista em Harmonização Corporal e Facial". Após a prisão, a suspeita foi levada para a Cidade da Polícia Civil. Isabela foi presa em flagrante enquanto atendia mais uma vítima no bairro do Bessa, em João Pessoa. Na delegacia, à TV Cabo Branco, ela negou que se apresentasse como médica. “Nunca disse que sou médica. Nunca. Meu carinho é estética, amo estética, ministro cursos de estética e toda a minha vida fui esteticista. Nunca quis ser médica, não cheguei ainda a esse nível. Sou estudante de Biomedicina. Quando eu vendo o meu ácido hialurônico, é porque a clínica é minha. Eu posso vender cílios, sobrancelhas, unhas, o que abranger a área estética. Quando houvesse ácido e bioestimulador puro, o esteticista pode fazer, né?", disse Isabela. Perfis nas redes sociais da clínica e da suspeita Reprodução/Instagram O g1 não conseguiu localizar a defesa da suspeita até a última atualização desta reportagem. A influenciadora Mirela Veríssimo foi uma das pacientes que fizeram o procedimento com a falsa médica. No vídeo que aparece no início desta reportagem, é possível ver a influenciadora passar mal ao realizar o procedimento, que não teve uso de anestésico. Ao repórter Pedro Hugo Lopes, da TV Cabo Branco, ela relatou que foi procurada pela suspeita, que propôs uma parceria: a harmonização de glúteos com reposição de colágeno, em troca de divulgação. Após o procedimento, a região apresentou inchaços e hematomas, mas, dias depois, quando a região desinchou, o local ficou com menos volume do que antes e com flacidez. “Nos três primeiros dias estava aquele processo inflamatório, estava inchado. Passando de 4 para 5 dias, você já conseguia ver que estava sumindo aquela questão de volume e tudo mais. Só que o resultado final desses dias que passava era pior do que era antes”. Mirela Veríssimo afirmou que não sabia que a mulher não era médica e que a suspeita não mostrava os produtos que utilizava durante as aplicações. A influenciadora registrou um boletim de ocorrência. “Ela fazia quando a gente estava de costas. Na primeira vez que eu indaguei sobre o que estava injetando, ela me mostrou uma ampola, puxou o produto na seringa, mas, como eu não sabia se era aquele tipo de seringa específica, tudo bem, eu estava vendo um produto sendo puxado da ampola de coloração rosa e daí eu dei as costas e confiei”. Uma ex-funcionária de Isabela Dantas, que não quis se identificar, disse ao repórter Pedro Hugo Lopes, da TV Cabo Branco, que, quando questionada sobre a formação acadêmica, a mulher dizia que tinha especialização em estética ou auxiliar de bloco cirúrgico. "Sempre ela dizia que era médica, até quando as pessoas perguntavam qual a sua especialização, ela dizia que era estética,ou auxiliar de bloco cirúrgico". A suspeita também chegou a afirmar para a ex-funcionária que estava concluindo o curso de medicina, mas que "trancou porque estava em uma matéria que ela não gostava". Outras denúncias Presa suspeita de se passar por médica e aplicar silicone de construção em glúteos Nas denúncias às quais o g1 teve acesso, uma das vítimas teve silicone de construção injetado nos glúteos pela suspeita. A mulher teve que passar por procedimentos cirúrgicos de emergência, após ter apresentado complicações de saúde. Em outras pacientes, a falsa médica aplicava ar e soro fisiológico, mesmo informando que utilizava bioestimulador e ácidos específicos, atitude que foi considerada suspeita por uma que não quis se identificar. “Ela dizia usar produtos como bioestimulador e um ácido específico para o corpo. E eu vi colocando, na verdade, ar e soro fisiológico na seringa". A mulher sentiu muitas dores e inchaço, e os resultados prometidos não foram obtidos. Desconfiada, ela se informou com outros profissionais da área sobre a forma como o procedimento foi feito e, após uma pesquisa, tomou conhecimento de que a profissional não tinha nenhuma formação ou especialização que autorizasse a realização de procedimentos como a harmonização de glúteos. "Foi quando eu comecei a achar muito estranho. Fiz uma pesquisa e vi que ela não tem especialidade nenhuma com relação a fazer procedimentos invasivos, assim como vi também um processo de uma paciente em que ela usou um silicone de material de construção". Em outra denúncia, a vítima alegou que conheceu a profissional por meio de uma live nas redes sociais. Na transmissão, a suspeita anunciava a realização da harmonização de glúteos por R$ 3,5 mil. Após realizar o procedimento na clínica, que funcionava no Bairro dos Estados, em João Pessoa, a paciente relatou que pagou R$ 5 mil, valor acima do anunciado. Após a aplicação, ela apresentou muitos hematomas, a região ficou quente e ela chegou a desmaiar de dor. Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba