Rombo nas contas externas brasileiras é o maior em 11 anos

Escrito em 27/01/2026


Contas externas brasileiras fecham 2025 com maior rombo em onze anos As contas externas brasileiras fecharam 2025 com o maior rombo em 11 anos. O déficit chegou a quase US$ 69 bilhões – o equivalente a 3% do PIB. Foi o pior resultado desde 2014. Ao longo dos anos, o Brasil vem registrando saldos negativos. Nessa conta entram todas as transações com outros países: o comércio de produtos, de serviços, como gastos de brasileiros no exterior, e rendas – por exemplo, lucros de empresas remetidos do Brasil para fora. O número é um indicador importante da capacidade do país de se integrar à economia global. Déficits muito elevados por um tempo prolongado tornam a economia mais vulnerável, por exemplo, a crises externas, aumentam a dependência de financiamento estrangeiro, o que pode pressionar o câmbio e levar a juros mais altos. A redução do saldo positivo da balança comercial foi a principal responsável pelo resultado, segundo o Banco Central. O especialista em comércio exterior Welber Barral afirma que o Brasil buscou alternativas ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos. Mas mesmo com a diversificação dos países compradores, as importações também cresceram: “O que aconteceu no final foi que o Brasil conseguiu aumentar a exportação para outros mercados, principalmente para a China, para a própria Índia, para o México, para a Argentina. Nós aumentamos as exportações compensando a perda de exportação para os Estados Unidos", diz Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior. Rombo nas contas externas brasileiras é o maior em 11 anos Jornal Nacional/ Reprodução Já o aumento dos investimentos estrangeiros no Brasil, em 2025, ajudou a financiar e a diminuir o impacto do déficit. São investimentos em empresas e em maquinário, por exemplo. Cresceram de US$ 74 bilhões para US$ 77 bilhões. “Nós temos um saldo importante na balança comercial, mas a nossa balança de serviços – que é o que o Brasil paga, por exemplo, de royalties, de frete, de serviços financeiros – é muito deficitária. Ao mesmo tempo, o Brasil recebe investimentos estrangeiros e também remete dinheiro de dividendos e de lucros das empresas estrangeiras no Brasil. O resultado de tudo isso é o balanço de pagamentos. O Brasil precisa fazer esforços para atrair investimentos, para continuar atraindo investimentos. Ele precisa fazer esforço para continuar com uma exportação elevada de bens e tentar diminuir o déficit em serviços”, diz Welber Barral. LEIA TAMBÉM Rombo das contas externas sobe para US$ 68,8 bilhões em 2025, o maior em 11 anos; investimento estrangeiro avança Gastos de brasileiros no exterior atingem maior índice em 11 anos; dólar recuou e IOF subiu em 2025