Mulher que ficou com boca inchada após usar creme dental perde processo contra Colgate; entenda

Escrito em 31/03/2026


Educadora social, de 45 anos, sofreu reação alérgica após uso de pasta de dente, em Miracatu (SP) Arquivo pessoal A Justiça de Miracatu, no interior de São Paulo, negou o pedido de indenização por danos morais feito por Denise Correia Santiago, a educadora social que alegou ter sofrido uma reação na boca após usar a pasta de dente Colgate Clean Mint. De acordo com a decisão, obtida pelo g1 nesta terça-feira (31), não ficou comprovado que o produto foi o responsável por causar os sintomas na mulher. "Me senti como se fosse uma pessoa mentirosa [...]. Para provar, será que deveríamos usar a pasta de dente novamente, de forma consciente, só para não restar dúvidas dos danos que ela causa para as pessoas que tiveram reações alérgicas?", questionou Denise. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. A mulher disse ter sentido o produto mais forte já no primeiro uso, mas só após cinco dias contínuos começou a notar sintomas como vermelhidão, inchaço e queimaduras na boca (veja ao longo da reportagem). Por conta das feridas, ela não conseguia comer direito. O g1 entrou em contato com a Colgate, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Mais de 1,2 mil pessoas relataram à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reações adversas após usar a pasta de dente até o fim de maio de 2025. Na ocasião, a venda chegou a ser suspensa, e a empresa afirmou que decidiu parar a fabricação do produto. Denise entrou com uma ação contra a empresa, sugerindo o pagamento de R$ 30 mil de indenização por danos morais. O advogado Victor Hugo Herculano, representante dela no caso, lamentou a decisão, mas afirmou que está confiante e vai recorrer para a segunda instância. Anvisa voltou a interditar pasta de dente da Colgate após marca retirar recurso, em maio de 2025 Pedido negado A juíza Jessica Cavalcante da Silva julgou o pedido improcedente no último dia 24, considerando os seguintes pontos: ➡️De acordo com a magistrada, os laudos registraram que a mulher relacionou a reação alérgica ao uso da pasta de dente, mas os médicos usaram o código CID T784 (alergia não especificada). "As fichas se limitam a descrever os sintomas suportados pela paciente, sem promover qualquer investigação ou conclusão acerca da origem da reação alérgica", afirmou Jessica. Educadora social, de 45 anos, sofreu reação alérgica após uso de pasta de dente, em Miracatu (SP) Arquivo Pessoal e Reprodução ➡️A juíza acrescentou que a empresa tem diversas variantes comerciais, e Denise não especificou durante a ação qual teria usado. "Impede, por si só, que se estabeleça qualquer nexo causal, pois desconhece se o produto adquirido foi ou não aquele afetado pela restrição administrativa [da Anvisa]". ➡️Por fim, Jessica afirmou que a mulher não comprovou a ausência do aviso de alteração da fórmula na embalagem do produto adquirido. "Com efeito, a formação de reações alérgicas pode decorrer de múltiplos fatores, [como] predisposição genética, hipersensibilidade individual, condições de saúde preexistentes, interação com outros produtos ou substâncias, e não necessariamente de defeito no produto", disse a juíza. Revolta Denise considerou "injusta" a decisão. "Faltou empatia por parte do judiciário, pois do mesmo jeito que aconteceu comigo e várias pessoas, poderia ter acontecido com um familiar do fabricante e do judiciário. Engraçado que, depois que interrompi o uso da pasta, os sintomas cessaram", finalizou. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) afirmou ao g1 que não emite nota sobre questões jurisdicionais. No entanto, o órgão estadual explicou que os juízes têm independência funcional nas decisões, de acordo com os documentos dos autos e seu livre convencimento. "Essa independência é uma garantia do próprio Estado de Direito. Quando há discordância da decisão, cabe às partes a interposição dos recursos previstos na legislação vigente", destacou o TJ-SP. Educadora social, de 45 anos, sofreu reação alérgica após uso de pasta de dente, em Miracatu (SP) Arquivo Pessoal VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos