Revista Pulsar é lançada em Belém. Divulgação Estudantes do ensino médio do Pará lançam nesta quarta-feira (27) a Revista Pulsar, apontada como a uma das primeiras revistas científicas do país produzida por alunos da educação básica. A publicação reúne nove artigos desenvolvidos por cerca de 40 jovens sobre temas como sustentabilidade, mudanças climáticas e problemas urbanos de Belém e da Amazônia. O projeto nasceu em uma escola particular de Belém e já chega ao público com registro ISBN, em parceria com a Biblioteca Nacional e a Câmara Brasileira do Livro. Problema do dia a dia Entre os trabalhos selecionados, um dos que mais chamam atenção propõe o reaproveitamento do caroço de açaí para a produção de placas isolantes sustentáveis, ideia apresentada em ações ligadas à COP 30, conferência do clima da ONU realizada na capital paraense. A proposta foi desenvolvida por estudantes de 16 anos a partir de um cenário comum em Belém: o descarte irregular de caroços de açaí em ruas, canais e áreas periféricas. A observação do problema levou os alunos a investigar impactos ambientais e urbanos provocados pelo acúmulo do resíduo, como alagamentos, acidentes de trânsito e a intensificação do calor na cidade. Durante a pesquisa, o grupo também analisou o consumo de energia associado à refrigeração em Belém e buscou alternativas aos isolantes convencionais, como isopor e mantas de PVC, derivados do petróleo. O resultado foi uma proposta de reaproveitamento da fibra do caroço do açaí em placas com potencial de uso sustentável, construída com pesquisa bibliográfica, coleta de resíduos, testes com fibras vegetais e produção de corpos de prova. “A gente saiu da ideia de um trabalho escolar e começou a entender como funciona uma pesquisa científica de verdade, com testes, análise de materiais e busca por soluções que pudessem funcionar na prática”, contou Vinícius Lobato, um dos participantes. Já Sarah Thomé destacou que a equipe passou a enxergar o resíduo como um problema ambiental que precisava de solução concreta. Além de reduzir resíduos, o estudo aponta possibilidade de geração de renda com a coleta e reaproveitamento do material, além de eventual diminuição do consumo de energia elétrica em residências. Em áreas periféricas de Belém, o descarte irregular dos caroços de açaí também contribui para o entupimento de canais, alagamentos e acidentes, principalmente com motociclistas. Edição aberta ao país A primeira edição da Revista Pulsar está sendo lançada em formato físico. Já a segunda, prevista para agosto, será digital e aberta à submissão de trabalhos de estudantes da educação básica de escolas públicas e privadas do Brasil e do exterior. O edital com regras, critérios e áreas temáticas será divulgado no dia do lançamento oficial. Segundo João Granhen, um dos responsáveis pelo projeto, a iniciativa aproxima adolescentes da produção científica ainda no ensino médio e ajuda a mostrar que a escola pode ser espaço de pesquisa aplicada. "Quando o estudante percebe que consegue pesquisar problemas reais e desenvolver soluções para aquilo que faz parte da rotina dele, a relação com a escola muda completamente. A ciência deixa de parecer distante”, afirmou. O Marista Brasil, rede presente em 20 estados e com cerca de 100 mil estudantes, destaca que a proposta está alinhada à formação integral, unindo excelência acadêmica, pensamento crítico e autonomia. A iniciativa, segundo a rede, busca ampliar a circulação de pesquisas produzidas dentro das escolas e estimular novas vocações científicas desde cedo. VÍDEOS: veja todas as notícias do Pará
Pará lança revista científica feita por alunos do ensino médio
Escrito em 28/05/2026
Revista Pulsar é lançada em Belém. Divulgação Estudantes do ensino médio do Pará lançam nesta quarta-feira (27) a Revista Pulsar, apontada como a uma das primeiras revistas científicas do país produzida por alunos da educação básica. A publicação reúne nove artigos desenvolvidos por cerca de 40 jovens sobre temas como sustentabilidade, mudanças climáticas e problemas urbanos de Belém e da Amazônia. O projeto nasceu em uma escola particular de Belém e já chega ao público com registro ISBN, em parceria com a Biblioteca Nacional e a Câmara Brasileira do Livro. Problema do dia a dia Entre os trabalhos selecionados, um dos que mais chamam atenção propõe o reaproveitamento do caroço de açaí para a produção de placas isolantes sustentáveis, ideia apresentada em ações ligadas à COP 30, conferência do clima da ONU realizada na capital paraense. A proposta foi desenvolvida por estudantes de 16 anos a partir de um cenário comum em Belém: o descarte irregular de caroços de açaí em ruas, canais e áreas periféricas. A observação do problema levou os alunos a investigar impactos ambientais e urbanos provocados pelo acúmulo do resíduo, como alagamentos, acidentes de trânsito e a intensificação do calor na cidade. Durante a pesquisa, o grupo também analisou o consumo de energia associado à refrigeração em Belém e buscou alternativas aos isolantes convencionais, como isopor e mantas de PVC, derivados do petróleo. O resultado foi uma proposta de reaproveitamento da fibra do caroço do açaí em placas com potencial de uso sustentável, construída com pesquisa bibliográfica, coleta de resíduos, testes com fibras vegetais e produção de corpos de prova. “A gente saiu da ideia de um trabalho escolar e começou a entender como funciona uma pesquisa científica de verdade, com testes, análise de materiais e busca por soluções que pudessem funcionar na prática”, contou Vinícius Lobato, um dos participantes. Já Sarah Thomé destacou que a equipe passou a enxergar o resíduo como um problema ambiental que precisava de solução concreta. Além de reduzir resíduos, o estudo aponta possibilidade de geração de renda com a coleta e reaproveitamento do material, além de eventual diminuição do consumo de energia elétrica em residências. Em áreas periféricas de Belém, o descarte irregular dos caroços de açaí também contribui para o entupimento de canais, alagamentos e acidentes, principalmente com motociclistas. Edição aberta ao país A primeira edição da Revista Pulsar está sendo lançada em formato físico. Já a segunda, prevista para agosto, será digital e aberta à submissão de trabalhos de estudantes da educação básica de escolas públicas e privadas do Brasil e do exterior. O edital com regras, critérios e áreas temáticas será divulgado no dia do lançamento oficial. Segundo João Granhen, um dos responsáveis pelo projeto, a iniciativa aproxima adolescentes da produção científica ainda no ensino médio e ajuda a mostrar que a escola pode ser espaço de pesquisa aplicada. "Quando o estudante percebe que consegue pesquisar problemas reais e desenvolver soluções para aquilo que faz parte da rotina dele, a relação com a escola muda completamente. A ciência deixa de parecer distante”, afirmou. O Marista Brasil, rede presente em 20 estados e com cerca de 100 mil estudantes, destaca que a proposta está alinhada à formação integral, unindo excelência acadêmica, pensamento crítico e autonomia. A iniciativa, segundo a rede, busca ampliar a circulação de pesquisas produzidas dentro das escolas e estimular novas vocações científicas desde cedo. VÍDEOS: veja todas as notícias do Pará